Inflação Sobe em Fevereiro e Atinge o Nível Mais Alto em Dois Anos
Publicado em 13/03/2026
esta quinta-feira (13), o IBGE divulgou Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. No mês passado, o indicador subiu 0,70%, ante 0,33% em janeiro.
O resultado ficou acima da expectativa do mercado de 0,65% e atingiu o nível mais alto desde fevereiro de 2025, 1,31%. Em 12 meses a taxa caiu a 3,81%, de 4,44% em janeiro, porém ficou acima da estimativa de 3,77%. “Apesar da alta, o IPCA retornou a patamares abaixo de 4%, nível que não era observado desde maio de 2024”, comenta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, todos registraram alta no mês.De acordo com o IBGE, a inflação ao consumidor brasileiro subiu com o impacto do efeito sazonal do aumento das mensalidades escolares.
Em fevereiro, a maior oscilação foi registrada no grupo Educação, com alta de 5,21%. A contribuição com mais peso foi dos cursos regulares, com 6,20%, devido aos reajustes praticados no início do ano letivo.
O subitens que mais variaram foram ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Ainda destacou-se a alta de 0,74% do grupo Transportes diante do aumento de 11,40% da passagem aérea.
Petróleo preocupa inflação
Por outro lado, os preços dos combustíveis recuaram 0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%). A Petrobras reduziu no final de janeiro os preços de venda de gasolina A para as distribuidoras em 5,2%, para uma média de R$ 2,57 por litro. No entanto, a guerra no Oriente Médio vem levantando preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços do petróleo. Somados, os grupos de Educação e Transportes representaram em torno de 66% do resultado do IPCA no mês.
Sung, da Suno Reserach, explica que o quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação. O cenário é sustentado pela valorização recente do câmbio, maior estabilidade das commodities nos meses anteriores ao conflito do Oriente Médio, recuo recente dos preços dos alimentos e desaceleração dos custos de produção, tanto no setor agrícola quanto no industrial. “Vale destacar que o conflito no Oriente Médio teve início apenas entre o final de fevereiro e o início de março, de modo que as recentes altas nas cotações do petróleo ainda não foram plenamente refletidas nos índices de preços”, aponta Sung
Gustavo Sung ressalta que o principal risco está relacionado à duração do conflito e aos possíveis impactos sobre a economia brasileira. A prolongação do conflito pode restringir ainda mais a oferta global de petróleo e seus derivados, o que tende a retardar o processo de desinflação observado nos últimos meses.
Segundo o economista da XP, Alexandre Maluf, ainflaçãoapresentou um perfil qualitativo negativo. “Embora itens monitorados como a gasolina tenham registrado queda temporária, aaceleração das médias móveissinaliza um cenário desafiador para o curto prazo”, afirma.
Selic caindo?
A mais recente pesquisa Focus do BC, a primeira com projeções realizadas após o início da guerra no Oriente Médio, mostra que a expectativa para o IPCA é de alta de 3,91% em 2026, indo a 3,80% em 2027.
A meta para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O resultado também vem pouco antes do próximo encontro do Copom. As reuniões estão marcadas para os dias 17 e 18 de março, em um cenário de fortes expectativas de que a autoridade monetária dê início a um ciclo de flexibilização. Atualmente, a Selic está em 15%.
“Mesmo com a situação desafiadora, a previsão imediata para a taxa Selic não foi alterada. Tanto a XP quanto a maior parte do mercado ainda projetam um corte de 0,50 ponto percentual para a próxima reunião”, destaca Maluf da XP.
Sung também avalia que há espaço para o início do ciclo de cortes de juros. “O nível ainda bastante restritivo da taxa de juros criou uma margem de segurança relevante para a condução da flexibilização monetária com credibilidade. No cenário-base, mantemos a projeção de Selic terminal de 12,5% a.a. em 2026”, comenta o especialista da Suno Research.
Inflação
O grupo Alimentação e bebidas teve leve aceleração de preços, com alta de 0,26% em fevereiro, com a alimentação no domicílio subindo 0,23%. Alguns destaques de alta foram nos preços de açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%).
A inflação de serviços acelerou com força em fevereiro e chegou a 1,51%, de 0,10% em janeiro. Em 12 meses, acumula alta de 6,01%, permanecendo como ponto de atenção do BC.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em fevereiro queda a 61%, de 64% em janeiro.