O que a reforma tributária muda para a área de tecnologia

Publicado em 23/10/2026 em Tributária

O que a reforma tributária muda para a área de tecnologia

O que a reforma tributária muda para a área de tecnologia

A reforma tributária entrou de vez na agenda do setor brasileiro de tecnologia. A estimativa de uma alíquota-padrão conjunta de quase 28% para o IBS e a CBS, prevista na Resolução nº 14/2026 do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), torna essa discussão mais concreta.

Esse percentual ainda não é definitivo e tampouco significa que todas as empresas de tecnologia terão a mesma carga. O impacto dependerá do tipo de operação, da composição entre produtos e serviços e da capacidade de aproveitar créditos tributários. Ainda assim, é uma referência importante para começar a fazer contas.

Atualmente os produtores de software nacional recolhem na venda PIS e COFINS de 3,65% mais 2% de ISS, um total de 5,65% e passarão a pagar 28%. Como não existe o crédito de impostos, pois sua maior despesa é mão de obra, a alíquota inicial do software brasileiro passará efetivamente de 5,65% para 28%, um aumento brutal, de quase 400% de aumento de carga tributária a ser pago pelo consumidor de software nacional.

O software importado recolhe atualmente, na venda, PIS e COFINS de 9,25% mais 2% de ISS, um total de 11,25%. Como o distribuidor, que é o importador, também não tem créditos tributários, vai recolher com o IBS/CBS, a bagatela de 28%, um aumento de impostos de 151%.Na cadeia de distribuição o primeiro é que define o custo para os outros, a partir disso os impostos do tipo IVA, o IBS e a CBS incidem só sobre o valor agregado em cada etapa. A cadeia de distribuição formada por fabricantes, distribuidores, integradores erevendas vai acrescentando o IBS/CBS sobre a margem, mas no final quempagará a conta é o clientefinal.

Além do aumento brutal de impostos para o setor, é preciso acrescentar o aumento do capital de giro necessário para sustentar a operação, pois para cada R$ 100,00 que se transformavam em R$ 111,25 com impostos, agora se transformarão em R$ 128,00, um acréscimo de R$ 16,75 de necessidade de capital de giro para cada R$ 100,00 em venda líquida.

Os fabricantes e fornecedores terão imensa dificuldade em manter o valor atual dos softwares.

Não há ganho de produtividade que compense um aumento tão brutal de custos.

Fabricantes poderão rever modelos comerciais

Os fabricantes e fornecedores de tecnologia também precisarão avaliar como seus produtos e serviços chegam ao mercado brasileiro.

Muitas empresas trabalham com modelos globais de licenciamento, suporte, assinatura e venda de equipamentos. A nova estrutura tributária pode exigir ajustes nas condições comerciais, nos contratos e na forma como determinadas ofertas são organizadas no país.

O que nos preocupa no momento é que esse aumento de preços vai impactar a modernização tecnológica das empresas brasileiras, atrasando sua modernização.

Em tecnologia, produtos, licenças e modelos de consumo mudam rapidamente. A adaptação tributária terá de acompanhar essa dinâmica da mesma forma que se acompanha a velocidade da IA.

Para os canais, entender a margem será ainda mais importante

Revendas e integradores também estarão no centro dessa transformação. Projetos de TI raramente envolvem um único componente.

É comum reunir hardware, software, instalação, suporte e serviços profissionais em uma mesma proposta.

A reforma vai simplificar o cálculo da margem de cada operação, pois o imposto sobre o valor agregado exige o cálculo preciso da margem de cada parte do projeto antes de chegar ao preço final.

Nos países da América Latina onde a CLM está instalada, o valor da venda se dá ex-impostos, isto é, as cotações não levam em conta o IVA que será acrescentado no final.

O mercado de distribuição trabalha com margens baixas e, portanto, não será capaz de compensar esse aumento brutal de impostos.

Vemos como alta a probabilidade de que esse aumento de impostos seja repassado integralmente ao cliente final.

CIOs e CISOs precisam colocar o tema no planejamento

Na ponta compradora, CIOs, CISOs e outras lideranças de tecnologia também devem acompanhar essa transição, que afetará seus orçamentos CAPEX e OPEX.

Cibersegurança, infraestrutura, cloud, armazenamento e software costumam envolver contratos de médio e longo prazo.

Uma mudança substancial do custo afetará o orçamento, cronograma e prioridade de projetos. Por isso, este é um bom momento para conversar com fornecedores e entender como cada parceiro está se preparando.

Quanto antes esse diálogo acontecer, menor a chance de descobrir um impacto relevante apenas na hora de renovar uma licença ou aprovar um novo projeto.

Ao mesmo tempo, a tecnologia continuará sendo necessária para produtividade, segurança e eficiência. Com a mudança nos custos, a tendência será que a empresa cobre ainda mais clareza sobre retorno, prioridade e resultado dos investimentos.

Isso pode ser positivo.

Projetos bem justificados tendem a ganhar força, enquanto iniciativas com pouco impacto real terão mais dificuldade para avançar.

A tecnologia também fará parte da resposta

O setor de TI terá um papel importante na adaptação das empresas.

Sistemas fiscais, financeiros e comerciais terão de ser ajustados. Dados precisarão circular com mais precisão, e as empresas terão de acompanhar créditos, custos, margens e operações de forma mais detalhada.

Isso abre espaço para projetos de automação, integração e análise de dados. Em muitos casos, a obrigação de adaptar sistemas poderá antecipar modernizações que já eram necessárias.

Ainda existem definições pela frente, mas já há informação suficiente para começar.

Distribuidores podem revisar portfólios e margens. Fabricantes podem avaliar seus modelos comerciais. Canais podem analisar melhor a composição dos projetos. CIOs e CISOs podem incorporar possíveis impactos ao planejamento de TI e abrir essa conversa com seus fornecedores.

A reforma trará custos de adaptação e poderá pressionar algumas operações. Isso faz parte do processo.

O importante é não tratar todo o setor de tecnologia como se tivesse a mesma estrutura ou fosse reagir da mesma forma.

Para o setor brasileiro de tecnologia, esse aumento de impostos é um desafio de proporções gigantescas e vai ter impacto importante sobre a demanda e sua comercialização

 

Compartilhe esse post

Acesse os materiais que vão preparar sua empresa para a Reforma Tributária

Guias, e-books, vídeos e análises setoriais produzidos por especialistas. Tudo o que você precisa para entender e agir com antecedência.